domingo, 15 de fevereiro de 2009

ORQUESTRA QUIETA

Onde estão os clarinetes?
Onde estão?

Onde fui parar?

Saí de cabeça quente.
Rumei ao beco do meu passado,
mas ele não é mais o mesmo!

Tocava sertanejo.
Eu não gosto de sertanejo.

A cerveja desceu-me triste e pelo copo.

Caminhei mais um pouco
e deparei com o casarão dos muitos fatos,
mas ele não é mais o mesmo!

Imponente ainda,
e agora com grandes "Aluga-se" pela fachada.

A vida desceu-me triste, goela abaixo.

Onde estão os flautins?
Onde estão?

Onde tudo foi parar?

Meia-volta. Chega do passado.

Um comentário:

....................................................... disse...

O passado me bate à porta; cara amassada, escorando na porta, respiração sôfrega. Subira os quatro andares, pulo à pulo, ansioso, num vil desespero de me tomar à força.
Lembro-me dele. Lembro-me de suas francas cores amendoadas e quentes, sua risada entrecortada, as bebidas que ingeria. Lembro-me do seu corpo, e principalmente do seu colo. Das fantasias rotas, das músicas loucas, da impermeabilidade. Isso era o que mais fazia falta; o poder de permanecer intacto.
Olhei-o chorosa, magoada. Ele sabia onde me encontrar - onde agora eu habitava - e vinha me procurar, frenético da saudade que era minha. Sem pronunciar uma única palavra de "olá", até porque não a pude encontrar, bati a porta em sua cara.
Mas ele ficou lá, do lado de fora. Ainda ouço sua respiração.

SIGAM-ME OS BONS!